
Presidente da Rússia,Vladimir Putin,discursa durante a parada militar do Dia da Vitória,em Moscou — Foto: Vyacheslav PROKOFYEV / POOL / AFP
GERADO EM: 27/05/2026 - 20:01
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Enquanto a Rússia não consegue avançar na guerra na Ucrânia,o presidente Vladimir Putin parece estar buscando um conflito mais amplo na Europa,visando cada vez mais infraestruturas críticas e cadeias de suprimentos,afirmou uma das mais altas autoridades de inteligência britânicas em um discurso preparado.
— A Rússia está intensificando suas atividades híbridas diárias contra o Reino Unido e a Europa — disse Anne Keast-Butler,diretora do GCHQ,a agência britânica de vigilância eletrônica,que tem combatido o que ela chamou de “sabotagem imprudente e tentativas de assassinato” do Kremlin.
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As declarações de Keast-Butler fazem parte de um discurso anual que ela proferiu na tarde de quarta-feira em Bletchley Park,onde os criptoanalistas britânicos decifravam sinais inimigos durante a Segunda Guerra Mundial. Agora,agentes de inteligência trabalham em centros por todo o Reino Unido,coletando interceptações eletrônicas e tentando se manter um passo à frente de adversários que demonstram “comportamento cada vez mais descarado”,disse ela.
Seus comentários surgem em um momento instável no mundo,com a guerra na Ucrânia em seu quinto ano,o conflito no Oriente Médio desestabilizando a economia global e o presidente Donald Trump abalando continuamente a aliança militar da Otan — um importante mecanismo de controle da agressão de Putin.
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Ela afirmou que sua agência está focada em frustrar a ameaça russa e,em particular,as ameaças híbridas que Putin tem utilizado para aterrorizar a Europa com o objetivo de dividir a OTAN e semear a discórdia no Ocidente. As táticas híbridas incluem ciberataques,sabotagem,assassinatos e campanhas de desinformação destinadas a desestabilizar as economias e instituições dos países.
Entre as agressões que autoridades europeias atribuíram à Rússia estão um enxame de drones e explosivos colocados em uma linha férrea na Polônia,interferência em sistemas de navegação aérea sobre a Suécia,ataque cibernético a uma barragem na Noruega e planos para colocar dispositivos incendiários em aviões de carga. Autoridades lituanas anunciaram recentemente a prisão de nove pessoas acusadas de planejar assassinatos e sabotagens em toda a Europa a mando do serviço de inteligência militar russo,o GRU.
Até o momento,os esforços de Putin para fragmentar o Ocidente não surtiram efeito,com os países europeus investindo mais em Defesa e fortalecendo a cooperação entre si.
— Enquanto permanecemos firmes em nosso apoio à Ucrânia,Putin está retrocedendo no campo de batalha — afirmou Keast-Butler em seu discurso.
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Na quarta-feira,o Reino Unido anunciou um novo tratado de Defesa e segurança com a Polônia,em resposta às crescentes ameaças hostis em toda a Europa. O primeiro-ministro polonês,Donald Tusk,planejava viajar a Londres para a assinatura.
"Este tratado representa o maior avanço em nossa relação de Defesa e segurança com a Polônia em uma geração,permitindo-nos enfrentar ameaças modernas à segurança que podem ser menos visíveis,mas não menos perigosas,e nosso trabalho conjunto manterá nossos países seguros nos próximos anos",afirmou o primeiro-ministro britânico,Keir Starmer,em um comunicado.
Autoridades de inteligência em toda a Europa estão profundamente preocupadas com a agressão de Putin e sua recusa em encerrar a guerra na Ucrânia,apesar das enormes baixas sofridas por seu Exército. Muitas dessas autoridades acreditam que a guerra na Ucrânia não representa o fim das ambições de Putin e que ele um dia ameaçará a Europa continental. O líder russo se comparou a Pedro,o Grande,o czar russo que expandiu enormemente o império.
Em dezembro,Blaise Metreweli,chefe do MI-6,o serviço de espionagem externa britânico,fez alertas semelhantes sobre a Rússia. A organização de Metreweli é especializada no recrutamento de agentes,enquanto o GCHQ lida com inteligência de sinais.
— Continuamos todos enfrentando a ameaça de uma Rússia agressiva,expansionista e revisionista,que procura subjugar a Ucrânia e hostilizar a Otan — declarou Metreweli,acrescentando que a Rússia está “nos testando na zona cinzenta com táticas que estão mesmo abaixo do limiar da guerra”.


No desfile anual do Dia da Vitória,no início deste mês,em Moscou,um evento que recorda a vitória soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial,Putin classificou a sua guerra contra a Ucrânia como “justa” e afirmou que Kiev está sendo armada e apoiada pela Otan.
Keast-Butler também destacou a China em seu discurso,salientando que o país é agora uma superpotência científica e tecnológica com sofisticadas agências de inteligência,cibernéticas e militares. De fato,a China tem lançado ciberataques de grande escala,incluindo um conhecido como Tufão de Sal,que teve como alvo mais de 80 países.
As relações entre Pequim e Moscou também se estreitaram desde o início da guerra na Ucrânia,à medida que procuram alinhar-se contra o Ocidente — outra tendência preocupante para o Reino Unido e seus aliados. Com os avanços tecnológicos ocorrendo em ritmo acelerado,Keast-Butler afirmou que Londres se encontra em um ponto de inflexão devido a esta “nova era de incerteza radical,geopolítica disputada e tecnologia em rápida transformação”. Ela acrescentou que o país e seus aliados devem preservar o que resta de sua vantagem tecnológica.
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