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Crise no agro: inadimplência dos produtores rurais sobe para 8,2% no 4o trimestre de 2025, diz Serasa

发布:6/1/2026 阅读:1

Caminhão recebe soja em Goiás: supersafra não garante bom retorno financeiro — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg

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GERADO EM: 31/05/2026 - 22:05

Crise Financeira no Agro: Inadimplência Atinge 8,2% no Brasil em 2025

A inadimplência no setor agropecuário brasileiro atingiu 8,2% no 4º trimestre de 2025,segundo a Serasa,refletindo a crise financeira no campo. O aumento dos custos devido à guerra no Oriente Médio e a alta das dívidas impactaram produtores,apesar de uma supersafra de grãos. As dívidas estão concentradas em bancos,com grandes produtores sendo os mais inadimplentes. A situação financeira permanece crítica com margens apertadas e crédito restrito.

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A inadimplência dos produtores rurais cresceu no fim de 2025,mais um sinal da crise financeira que assola o campo,apesar da supersafra de grãos que se encerra em meados deste ano.

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No quarto trimestre do ano passado,8,2% dos produtores rurais pessoas físicas tinham dívidas em atraso,segundo a Serasa Experian.

O resultado é 1 ponto percentual acima de um ano antes e 0,2 ponto acima dos 8% verificados no terceiro trimestre,mostra o Indicador de Inadimplência do Agronegócio da consultoria de dados financeiros.

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Marcelo Pimenta,head de agronegócio da Serasa Experian,explicou que o crescimento mais modesto na passagem do terceiro para o quarto trimestre se deveu a “sinais de estabilização em alguns segmentos”.

Os dados do Banco Central (BC),mais recentes do que os da Serasa,apontam que a taxa de inadimplência das pessoas físicas no crédito rural piorou em janeiro (7,3%) e fevereiro (7,6%),mas teve ligeira melhora em março (7,1%). São os maiores níveis de inadimplência do crédito rural da série histórica do BC,iniciada em 2011.

“A inadimplência no agronegócio segue em alta gradual,com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado,diante de custos elevados,preços voláteis e crédito mais seletivo”,disse Pimenta,no relatório da Serasa sobre os dados,divulgado nesta segunda-feira.

Aperto financeiro

Com a colheita da soja praticamente concluída,a safra de grãos caminha para mais um recorde,na temporada 2025/2026,o que impulsionou o avanço de 2% na agropecuária no Produto Interno Bruto (PIB,o valor de todos os bens e serviços produzidos na economia) do primeiro trimestre,mas os produtores rurais estão cada vez mais apertados financeiramente.

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A guerra no Oriente Médio elevou custos,e as cotações da soja não estão tão boas para o produtor,o que achata os lucros. Com os produtores endividados,os juros elevados também pesam nas despesas,tanto que outros dados da Serasa apontam números recorde de recuperações judiciais.

— Foto: Editoria de Arte

A Serasa Experian analisa o endividamento de 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural. O indicador é o percentual de inadimplentes no total de produtores pessoas físicas — é considerado inadimplente quem tem dívidas acima de R$ 1 mil (apenas em operações relacionadas à atividade rural) vencidas com mais de 180 dias. É diferente da taxa de inadimplência do BC,que monitora as operações,não as pessoas.

Além disso,a Serasa Experian considera tanto o crédito quanto as dívidas com fornecedores — as operações de barter (permuta,na tradução livre do inglês),em que o produtor troca uma parcela da produção por insumos.

Dívidas concentradas nos bancos

A inadimplência está concentrada nas dívidas com bancos e demais serviços financeiros,como fundos. Apenas 0,3% dos produtores estão em atraso nas dívidas com credores do próprio agronegócio,e só 0,2% estão inadimplentes com fornecedores de fora do setor,como serviços de transporte.

Apesar disso,o relatório da Serasa Experian chama a atenção para o valor médio das dívidas. Com fornecedores do próprio agronegócio,a dívida média é de R$ 138,2 mil; com as instituições financeiras,é de R$ 115,5 mil. Já com fornecedores de fora do setor,o valor médio é bem menor,de R$ 32,6 mil.

Para Pimenta,da Serasa Experian,isso eleva o risco. “O perfil do crédito rural,marcado por tickets mais altos,prazos mais longos e maior exposição financeira,faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida,ampliando o risco”,diz o executivo no relatório.

Inadimplência maior entre os grandes

Os dados também mostram que a inadimplência do quarto trimestre de 2025 foi maior entre os grandes produtores.

O maior percentual (9,9% dos produtores) foi registrado entre aqueles que não possuem informação de registro rural. São “possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos”,diz a Serasa Experian.

Entre os grandes proprietários,a taxa ficou em 9,8%. Já os médios (8,3%) e os pequenos (7,8%) proprietários registraram taxas menores.

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